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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dos micos supermercadísticos e suas consequências culinárias... (cont.)

Mico #2 

Aí a pessoa está a mais ou menos um mês numa terra estranha, de medidas estranhas: fahrenheit ao invés de celsius, pounds ao invés de quilos, feet & inches ao invés de metros & centímetros, MPH ao invés de Km/h, dólares ao invés de reais (se bem que todo mundo lá em casa já sabe: quem converte não se diverte)... 

A gente se confunde, né?


Então...

Fui no super again, e na sessão de frutos do mar, aqueles camarões limpinhos. $8,99/lb (o que significa uns R$ 40/kg). Pedi uma libra (porque me confundi na conversão do peso) e achei que estava barato (mas está um pouco caro pro tamanho dos camarões. Mas era o filé, você pode dizer... Enfim...). O cara me deu o pacotinho singelo, de aproximadamente meio quilo (0,453592 kg, para ser exata). 

Cheguei em casa e resolvi deixar o camarão de castigo. Ficou no freezer por quase duas semanas. antes de ontem olhei pro pacotinho mirrado e desci para a geladeira. Segue a lista de ingredientes pro almoço:

* 1 libra de filé de camarão limpo;
* suco de um limão daquele amarelo e grande; 
* sal e pimenta a gosto para temperar o camarão;
* duas xícaras de café forte (manter aquecido na cafeteira);
* 1 libra de macarrão parafuso;


1: Tempere o camarão com o suco do limão, sal e pimenta. 

2: Beba uma xícara de café enquanto pensa no que fazer. Lembre que você tem um molho alfredo pronto na geladeira e acrescente na sua lista de ingredientes. Se você for prendada, faça seu próprio molho, oras.

3: Faça a massa, seguindo as instruções (ou não).

4: Refogue a cebola e o alho no azeite (eu sei, esqueci de listar nos ingredientes). 
* 1 cebola, rudemente picada (não pela força, mas pelo tamanho, pelamordedeus)
* alho picado
* azeite para refogar

5. Acrescente o camarão,  mas não deixe ficar borrachudo. (Não fique provando muito, assim você acaba o camarão). Desligue o fogo quando ele estiver quase no ponto (o que significa que você já comeu uns 3 camarões pra testar).

6. Aqueça o molho pronto numa panela a parte. (Ou faça o seu, sua amostrada). Quando estiver quase no ponto, junte os camarões e deixe o camarão pegar o gosto do molho. Cuidado para não ficar borrachudo (pode comer mais um ou dois para testar o sal - adoro essa desculpa). 

7. A essa altura, a massa deve estar cozida, escorrida. Vá juntando até ficar naquele ponto do macarrão ficar com molho, sem muito excesso, nem muito seco. Aqui, eu acrescentei um pouco de milho verde. 

8. No prato, uma pitadinha de orégano e... voilà.


9. Não estava na lista, mas... comemore o sucesso do almoço com um sorvetinho (o meu foi aquele da Haagen Dasz - yummy).

10. Beba a segunda xícara de café enquanto pensa em como vai conservar as sobras que vão durar um mês na geladeira.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Dos micos supermercadísticos e suas consequências culinárias...

Mico #1

Estava eu passando os olhos nas prateleiras da gôndola e um produto me chamou a atenção:

HOMESTYLE BAKED BEANS

Uau! Feijãozinho caseiro. Me ouricei.

Olhei bem o produto, feijãozinho marrom, caldinho grosso. Yummy!

 

"Me dei bem". Paguei os seis dólares e fiquei esperando a vontade de comer o feijão. Uns dias depois, preparei um arrozinho caprichado no alho e cebola, fiz coxas de frango com batata no forno, Tudo pronto, esquentei uma porção do feijão e fiz aquele prato. Misturei o arroz com feijão, e na primeira colherada.... O feijão era doce. Não, Luciana, não era agridoce. Era doce, doce, doce.

Joguei fora, botei mais arroz e almocei.

Dia seguinte, repensei: não sou mulher de jogar fora 6 dólares. Vamos salvar o feijão!

Passo 1: Tirar o doce. escorri todo o caldo doce e lavei, lavei, lavei o feijão.

Passo 2: Retemperar: processei alho, cebola. Amassei uns grãos de feijão, para refazer o caldo. Adicionei SAL.

Passo 3: Dar novo sabor. Refoguei o feijão no novo tempero, acrescentei água com cuidado, pra o caldo não ficar aguado. Cozinhei em fogo baixo até o feijão pegar o novo sabor.

Passo 4: Partir pro abraço. Pega o arroz, o frango e o novo feijão. Bota um sucão de laranja do lado. Não ficou igual o feijão da mamãe, mas salvei os seis dólares!



O mico # 2 já está por vir, aguarde(m)!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mamãe eu quero, mamãe eu quero...

Ok, não vou dar uma de matuta / síndrome de vira lata, mas coisas que eu queria levar comigo (ou ter disponível por lá a um preço acessível):

* A secadora de roupa escândalo que tem aqui na casa (seca igual ao sol de Mossoró, mas é mais prático que estender roupa).

* Esses trocinhos que você bota na máquina de lavar roupa e absorve a cor que solta das roupas coloridas. Funciona!

Era branco, ficou roxo. E as roupas brancas continuam brancas...
* Donuts, bagels, e outras delícias igualmente engordantes... Essa semana falava com minha amiga Kinha, e ela se revoltou com uma foto que postei: por que a gente importa McDonald's e não importa o que realmente importa?

Não a culpo, estava delicioso...
* Ônibus que passam na hora. Já sei certinho o tempo de desligar o computador, me espreguiçar, arrumar as coisas e chegar na parada 1 minuto antes do meu busão chegar.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Hoje eu vi um esquilo (de novo)

E vi também:

* uma loira daquelas tipo Farrah Fawcett no tempo das panteras. Gente, que cabelo era aquele!

* a paixão pelo futebol americano em quase todas as vitrines, ônibus, placas de carro. (Go Dawgs!)

* que TODAS as universitárias se vestem igual no verão: short + camisa de malha (nada de baby-look) + tênis baixinho, tipo redley. Então sou uma das únicas por aqui a andar de vestido, o que atrai olhares desconfiados, de supresa, e até um elogio inesperado de uma garota, no meu caminho: "that's a beautiful dress!" Aliás, minha roomie Bin Tao todo dia elogia o meu jeito de vestir.

* o comportamento "não entre no meu espaço" que é irritante. Uma garota, sentada entre duas cadeiras vazias no ônibus. Uma outra (xerox autenticada desta: loura, short e camiseta) senta do lado. A primeira, no mesmo minuto, olha de cara feia e vai para a outra ponta.

* a invasão oriental na academia americana. O lugar está cheio de chineses, coreanos, indianos. Já conheci mais de um de cada. :)

That's all, folks!


sábado, 6 de setembro de 2014

"No ar!" (com a voz do Galeão Cumbica)

Minha história começa no terceiro voo da jornada. Os dois primeiros foram normais, dormi demais no primeiro, não consegui dormir no segundo. Já estava cansada quando cheguei ao terceiro, mas esse foi tão bom, mas tão bom que merece destaque.

A aeronave era bem pequena, de uma empresa associada à AA. Cabiam 50 passageiros, e a comissária (que vou chamar de Kat) ficava contando e conferindo com a lista dela (saída daquelas impressoras matriciais). Eu JURO que me senti na rodoviária de Mossoró saindo em um ônibus da Nordeste.

Aí, pela porta lateral, vizinha à minha cadeira, veio um cara abastecer a aeronave com comes e bebes. Eu até estranhei as comidas porque era um voo curto, mas tudo bem. O que vale o destaque era a careta dele quando abria os pequenos compartimentos, parecia que estava tudo fora de lugar. Enquanto isso, a Kat fazia de conta que não era com ela.

Bom, deixa eu descrever a Kat: uns cinquenta anos, loura, alta e magra mas com uma barriguinha saliente (o botão da calça não fechava, ela usava um cinto e as pontas ficavam sobrando). Luciana, me pergunta inbox e eu te digo quem é a CARA dela.

Ok, o cara termina e sai pela portinha. Aí ela vai lá e bagunça tudo de novo, ao seu estilo. Quando pega um saco de canudos, derruba tudo. Cá comigo, eu penso: como todo americano é obcecado pelo certinho, vai tudo pro lixo... Nada! (nota mental: não aceitar canudos na bebida). Aí ela põe tudo no saquinho de novo e lasca em outro compartimento. Fica nessa brincadeira de mudar as coisas de lugar até a hora de levantar voo . Aí, tchans! Ao invés de "ladies and gentleman", ela solta um "hi, folks" :) Ganhou meu voto... Ela veio servindo as bebidas e tal (graças a Deus, nenhum canudo) e voltou para a casinha dela, vizinha à minha cadeira. Abre um compartimento e tira....

...uma sacola estilo essas, de sacoleiras do Paraguai. Puxa dois sacos plásticos (de mercantil, mesmo). Checa os dois, devolve um. Abre um respeitável pote de doce de frutas em caldas (meio quilo, aprox.), puxa uma colher e uma revista tipo Marie Claire da sacola e pá, pá, pá... Como se tivesse na sala de casa. De vez em quando o piloto chama, ela reluta em deixar a revista, atende e volta. Termina o doce quase todo, devolve o pote à sacola, e faz a volta recolhendo os copos da galera, que só teve direito à bebida. Deixa o saco de lixo amarrado junto à porta de serviço, olha o relógio, pondera... É, dá tempo. Compartimento. Sacola. Saco ziploc cheio de batata do tipo Pringles. Batata. Revista. Batata. Revista. E o cheiro no mundo. O piloto avisa que vamos descer, e ela em pé. Batata. Revista. No último minuto antes da descida, a última batata. Limpa as mãos num desses lenços umedecidos, pega o telefone e fala com a gente de novo: "Folks, 'tamo chegando. Bem vindos à Atlanta!"

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mistérios da carne

Aí o editor-chefe manda um cara escrever um livro.
Ele pensa, rabisca, apaga. Coça a cabeça, escreve um parágrafo.
Levanta, bebe um copo d'água. Senta, relê e rasga o papel em pedacinhos.
Bate a fome e ele vai fazer um strogonofe. Aí vem a inspiração: "No princípio tudo era o verbo... e o verbo se fez carne."
O editor gostou. O livro é best seller.

Alguns séculos depois, me levanto pra fazer o almoço e espero ter a mesma sorte com a minha tese.
#SQN

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A origem do post

Aí eu vou limpar a carne. Vou jogando as tiras prum lado, os nervos no lixeiro. A cada movimento, uma pausa pra pensar onde jogar. Aí os pensamentos vêm. Filosofia pura. Todo mundo devia (tentar) cozinhar, porque das duas, uma: ou você esquece tudo e fica pensando no que você está fazendo, ou você esquece o que está fazendo e pensa nas coisas importantes da vida. Daí que joguei um nervão dentro da bacia das tirinhas.

Sorte que não foram as tirinhas na lixeira.

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Uma pausa

Você está no meu blog e aqui não tem foto-ostentação dos meus dotes culinários por um simples motivo. (Não, não é isso... Todo blogueiro gosta de aplauso, e eu até colocaria fotos, se não fosse pelo motivo a seguir). Eu cozinho receitas do tipo amador, beginner, modo fácil, café com leite. Minha busca na internet é sempre a mesma: "torta de frango fácil", "assado de panela fácil", "strogonofe fácil" (o de hoje). Então, pra ver foto de comida bonita, siga a Luciana (tem link dela aqui em todo lugar).

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A filosofia

As coisas bestas a gente pensa e repensa. Onde jogar a carne, onde jogar o nervo. Decisões fáceis que se tornam automatizadas. E mesmo assim o nervão cai do lado errado. 

As minhas grandes decisões, na maioria das vezes, foram meio bruscas: a mudança de emprego que levou à mudança de cidade, a cirurgia que me deixou (literalmente) pela metade, a decisão de sair para o doutorado sanduíche. As duas primeiras se mostraram sábias escolhas, apesar de alguns efeitos colaterais. Aguardemos os próximos capítulos.

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PS: ninguém mostre este post pra minha mãe ou minha professora de catequese.

Antes do tchibum

Mergulhar é bom. Ver além da superfície. Conhecer. Explorar.

Mas o post ainda não é sobre descobertas.

Antes disso, a expectativa. O que será que vou encontrar lá embaixo: corais coloridos? tubarão assassino? tudojuntoemisturado?

Mas o post também não é sobre esse frio na barriga. Não ainda.

Antes do tchibum, respiramos fundo. Porque para aproveitar o mergulho, é preciso estar vivo, tudo funcionando. Uma grande puxada pela boca; vem tudo junto: oxigênio, germes, vem tudo. Embaixo d'água, sabemos, não tem o que precisamos para continuar vivendo. Tem um mundo de coisas legais, diferentes, novas e excitantes. Mas não o ar que respiramos. E nem por isso deixamos de mergulhar.

Então é isso. Estou me embriagando das minhas coisas, da minha casa, dos meus amores. Aproveitando todas as brigas, todos os abraços, os carinhos, a minha vida. Uma grande puxada de ar pela boca. Vão ser longos meses de #festaestranhacomgenteesquisita, mas estou tomando fôlego.

(...) Engano-me. Todos os posts são sobre descobertas.

A quem interessar possa (e estiver voando na maionese), estou indo para o estágio doutoral (vulgo sanduíche) na Geórgia, EUA.